Antes de praticar tai chi chuan, eu era muito ansiosa, de pavio curto. Tudo era motivo para estressar. Meu temperamento explosivo favoreceu o surgimento de uma gastrite nervosa. Também era insegura e costumava dar muita importância para o que as pessoas diziam sobre mim. Procurando um meio para me reequilibrar, descobri essa prática, que despertou serenidade e autoconfiança. Hoje, aprendi a direcionar minha energia para produzir ganhos tanto para a saúde como para o bem-estar geral. Não fico mais me desgastando à toa", conta Cátia Franco, 27 anos, jornalista de São Paulo (praticante há nove meses e autora desta reportagem).
Na China, todos os dias uma legião de pessoas ocupa as primeiras horas da manhã fazendo tai chi chuan ao ar livre. Quem vê tanta suavidade e coordenação custa a acreditar que, na origem, essa prática foi uma luta – as sílabas tai chi chuan juntas significam "arte marcial do supremo equilíbrio". é um tipo de ação que, simulando movimentos de animais e fenômenos da natureza, pretende vencer o oponente sem usar a força.
Na China antiga os inimigos eram de carne e osso. Hoje quem é adepto desse tipo de exercício quer fazer uma trégua com os problemas de saúde e os desgastes emocionais que podem tornar a vida uma árdua batalha. "O tai chi chuan nos mantém saudáveis, vivazes e preparados para lidar com situações de estresse. Após executar o kati (seqüência de movimentos), nos sentimos mais motivados e revigorados. Com o tempo, isso promove também o rejuvenescimento", afirma Velzi Moreschi, presidente do Instituto Tin Long – Tai Chi Chuan e Qi Gong Tradicional, de São Paulo.
Sem pressa, com fluxo
Esses são resultados dos movimentos lentos e harmoniosos que ativam o tan tien, um centro energético localizado abaixo do umbigo, fonte da energia vital ch’i. Assim como o sangue, ela precisa estar em constante circulação, fluindo livremente. Quando a passagem do ch’i é bloqueada por mágoas, raiva, frustrações, problemas mal resolvidos, ocorre o desequilíbrio das forças yin (feminina) e yang (masculina, veja quadro abaixo), e surgem os desequilíbrios físicos ou emocionais. O que o tai chi chuan faz é justamente restabelecer esse fluxo, que tem tudo a ver com manter a alegria, a disposição e a clareza.
A professora Velzi experimenta há 25 anos os resultados da prática, que a livrou de uma doença grave: "Cresci com uma deficiência cardiorrespiratória. Vivia sob os efeitos desagradáveis de remédios fortes. Aos 26 anos, estava senil e não conseguia subir uma escada sem me exaurir. Com exercícios diários que respeitavam meu ritmo, superei as limitações, reverti a situação e hoje, aos 50 anos, tenho o condicionamento de um atleta de competição".
Jogo de cintura
O tai chi chuan também ajuda a transformar as emoções, desperta coragem, autoconfiança, serenidade e facilita a aceitação das imperfeições. "Ficava apavorada com tudo: provas, trabalho, conversas", lembra a paulistana Bianca Fernandes, 25 anos. Com pouco mais de seis meses de prática, ela conquistou a estabilidade emocional e mudou a forma de encarar os desafios. "Encontrei o meu eixo para enfrentar a vida", diz ela.
Desenvolver a flexibilidade nas articulações e também no comportamento é outro ponto forte dessa arte. "Uma pessoa com maior maleabilidade corporal tem mais jogo de cintura na hora de contornar e superar as dificuldades", observa Esdras Trigo, professor de tai chi chuan há 15 anos, de São Paulo. Por isso, a prática também ajuda no combate a depressão, síndrome de pânico, desânimo.
Gestos de equilíbrio A seguir, uma seqüência de movimentos do tai chi realizada pela aluna Bianca Denaro. A professora Velzi Moreschi ressalva: "Mantenha a respiração natural, a coluna alinhada, as articulações soltas, o quadril encaixado (nem para frente nem para trás)". Praticar essa pequena seqüência pela manhã traz muita energia e disposição para o dia todo.
1. Wu chi (vazio) Pés unidos e braços relaxados. Sinta-se como se existisse um fio puxando o topo da cabeça para o alto, sem erguer o queixo. De olhos fechados, concentre-se na respiração. Deixe que pensamentos, sensações e sentimentos passem, sem se apegar a nenhum deles.
2. Formar a base Afaste os pés na largura dos ombros, voltando as pontas dos dedos do pé para frente. Suavemente, comece a erguer os braços paralelamente à linha dos ombros. Flexione levemente os joelhos. Com a base formada, prepare-se para iniciar o tai chi chuan.
3. Mergulho do dragão Apóie cerca de 80% do peso do corpo na perna direita, flexionando-a. Estique o braço direito com a palma da mão voltada para trás. Dobre o braço esquerdo na altura do peito, fazendo um ângulo de 90º. A palma da mão deve estar voltada para baixo. Abra o pé esquerdo e gire o tronco e o quadril. Mantendo essa posição, flexione os joelhos e, passando os braços pela frente do tronco, simulando um mergulho lateral, vá na direção oposta. Estique os joelhos e eleve o tronco, voltando à posição inicial. Repita da esquerda para a direita.
4. Macaco à espreita Na posição 1 (Wu chi), traga as mãos para junto do peito como se elas estivessem puxando um fio. Simultaneamente, arraste a perna direita, elevando o joelho até onde for confortável. A perna esquerda fica levemente dobrada para facilitar o apoio. Volte ao começo e faça tudo do outro lado
5. Lançando o tigre à esquerda e à direita Com as pernas afastadas e as pontas dos pés voltadas para frente, flexione levemente os joelhos. Erga os braços, também semiflexionados, até a altura do umbigo e feche as mãos. Flexione a perna direita em direção ao peito e, simultaneamente, leve o braço esquerdo à altura da cabeça e o direito à altura do tórax. Abaixe a perna e repita do lado oposto.
6. Acariciando a crina do cavalo Afaste os pés na largura dos ombros. Flexione a perna direita, arraste a perna esquerda em direção à outra, flexionando-a . Dobre o braço esquerdo na altura do tórax com a palma da mão para cima e leve o outro braço à altura do peito, com a mão colada ao rosto e a palma voltada para fora. Imagine que há um cavalo entre suas mãos e você acaricia a crina e o pescoço ao mesmo tempo, abrindo os braços de modo que a mão esquerda alinhe-se ao quadril e a direita ao ombro. Simultaneamente a esse gesto, abra a perna esquerda e apóie o peso do corpo, flexionando-a. Volte ao início e repita do outro lado.
Com três meses de prática...
...duas vezes por semana, é possível sentir os efeitos positivos do tai chi chuan, que:
* aumenta a vitalidade, a concentração e a auto-estima;
* melhora a respiração e a flexibilidade;
* aguça os cinco sentidos (audição, olfato, paladar, visão e tato);
* fortalece o sistema imunológico, prevenindo doenças;
* ajuda a manter o autocontrole e a lidar melhor com as emoções;
* favorece o autoconhecimento.
2009 - Joaquim de Oliveira S.A. Participações
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O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: Este produto não deve ser usado para alimentar crianças menores de 1(um) ano de idade, a não ser por indicação expressa de médico ou nutricionista. O alimento materno evita infecçães e alergias e deve ser mantido até a criança completar 2 (dois) anos de idade ou mais.